O uso intenso de maquiagem, glitter e cílios postiços durante o Carnaval eleva o risco de irritações e infecções oculares, segundo oftalmologistas. A combinação de calor, suor e resíduos acumulados na região dos olhos favorece inflamações que podem se prolongar por semanas quando não tratadas corretamente.
No período da folia, o contato frequente com pigmentos, partículas metálicas e produtos cosméticos aplicados na pálpebra cria um ambiente propício a quadros como blefarite e conjuntivite. A retirada inadequada da maquiagem e o compartilhamento de itens também aumentam a chance de contaminação.
O médico oftalmologista Victor Massote, vice-diretor clínico do Oculare Hospital de Oftalmologia, afirma que os sintomas costumam ser subestimados. “Muitas pessoas encaram a irritação nos olhos como algo passageiro do Carnaval, mas inflamações nas pálpebras e na superfície ocular podem se prolongar por semanas se não houver cuidado”, diz.
Principais problemas registrados
Entre as ocorrências mais comuns estão:
Blefarite: inflamação das pálpebras associada ao acúmulo de maquiagem e falhas na higiene diária. Pode provocar vermelhidão persistente, coceira e descamação.
Conjuntivite: inflamação da membrana que reveste a parte branca dos olhos. Pode ser infecciosa ou alérgica, especialmente após contato com glitter, suor e poeira.
Ardor e ressecamento: geralmente relacionados à irritação química dos produtos e à desidratação em ambientes quentes.
Microlesões na córnea: partículas rígidas de glitter podem causar pequenos arranhões na superfície ocular, facilitando a entrada de microrganismos.
Cinco cuidados para evitar complicações
O especialista recomenda medidas preventivas simples:
1. Evitar maquiagem na linha d’água
A aplicação na parte interna da pálpebra aumenta a probabilidade de irritação e inflamação, por ser uma região sensível e de contato direto com a superfície ocular.
2. Usar glitter apropriado para a área dos olhos
Produtos encapsulados ou de base cremosa reduzem o risco de desprendimento de partículas. A higienização das mãos antes e depois da aplicação também é indicada.
3. Não dormir maquiado
Após horas de uso, a maquiagem acumula oleosidade e microrganismos. A remoção completa com demaquilante específico diminui o risco de infecções.
4. Manter higiene das pálpebras
A limpeza diária com produtos adequados ajuda a prevenir crises recorrentes de inflamação, sobretudo após períodos de exposição prolongada a cosméticos.
5. Não compartilhar acessórios
Máscaras de cílios, pincéis e cílios postiços podem transmitir vírus, bactérias e fungos.
Quando procurar atendimento
Vermelhidão persistente, dor, secreção, sensibilidade à luz ou sensação constante de areia nos olhos indicam necessidade de avaliação médica.
“Quanto antes o paciente busca orientação, maior a chance de controlar o problema rapidamente e evitar que ele se torne crônico ou cause danos mais sérios à visão”, afirma Massote.
Em caso de desconforto, a orientação é suspender imediatamente o uso de maquiagem até avaliação especializada.
A maioria dos quadros melhora com tratamento adequado, mas a repetição de hábitos inadequados tende a prolongar ou agravar a inflamação ao longo do ano.
Fonte: Saúde IG


